segunda-feira, 18 de abril de 2016

Aqui em casa tudo é cupim.
O chá é morango com cupim.
O travesseiro não é de penas, mas de cupim.
Do chuveiro não sai mais água.
O saco do arroz é tudo, menos arroz.
Não se encontram aranhas dentro dos sapatos, mas cachoeiras de cupim.
To ficando tão louca que consigo ouvir eles caírem.

Acho que na verdade, somos nós os intrusos, como no filme Os outros.
Os cupins dominaram a casa.
Só queria alguma coisa que me permitisse aproveitar essa chuva maravilhosa, meu chá de marcela e essa música. Sem essa ansiedade. Sem essa falta de vontade da vida.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Gente, para tudo

Ganhei hoje, da minha tia, uma calça antiga (mas nem tanto) que ela tinha parada. Olhei o número e pensei "nunca vai entrar na minha coxa".
A calça, da Hering, era 40.
Eu parei há tempos de me importar com o número de calça que eu visto. Se o número que eu usava mês passado não serve, procuro na arara uma maior e levo se me sentir confortável. Bem simples. Não entro mais em nóia.


A calça que experimentei hoje, número 40, me serviu. E ficou ótima aliás.
Mas fiquei puta, pra variar. Ué, mas por quê?
Porque compro calças 46 na renner. Sim, a calça mais escura na foto é número 46, enquanto a mais clara é 40.

Fico puta, sim, porque os caras conseguem pôr na nossa cabeça que a gente "engordou". E grande bosta se a gente engordou, o nosso corpo, além de ser só uma casca, tem só que nos proporcionar coisas boas. Todas as nossas experiências - que são dadas através dos nossos sentidos - são incríveis e a gente precisa de um corpo pra ter elas. To-di-nhas. Então se alguém pôr na nossa cabeça que tem alguma coisa errada com o nosso corpo, as nossas experiências vão estar prejudicadas.
Apesar de esse texto tocar poucas pessoas, espero que todas nós nos sintamos mais confortáveis conosco. Com as peças e os números que usamos. E lembremos que os números são só mais um artifício pra nos fazer sentir erradas, diferentes, gordas (qual o problema disso? não entendo).

Acho legal que esteja tão forte esse negócio do plus size, mas ia ser mais legal se esses tamanhos só fossem confeccionados como todas as outras peças e nós não chamadas de numeração "especial". Odeio essas palavras: normal/especial. Nos diferenciam tanto das outras pessoas. E só pra deixar claro, porque parece ainda não estar: a gente não tem nada de diferente, de especial.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quando os dias começam muito mal, um atrás do outro, eu tenho que parar, respirar, acordar em um novo dia com um café e uma torrada de queijo.
Só assim a gente quebra as energias ruins que circundam a nossa cabeça, só assim a gente interrompe um ciclo vicioso e desagradável.
Meu café tá no fim, mas meu dia tá recém começando.
Tá uma chuva linda na rua (há umas três semanas). E eu não aproveitei nenhum dia dela.
Terminei um livro ontem e não dei importância pra isso.
Desci a máquina de escrever e ainda não escrevi nada relevante.

"Esta é a hora, este é o momento, isto
É quem somos, e é tudo."

Vou colher o dia, porque sou ele, e só isso: esse pequeno instante que é o agora.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Tem dias que não consigo desacreditar das outras vidas (apesar de racionalmente, elas não fazerem nenhum sentido pra mim).

Um dia apareceu na faculdade um cara que eu tinha certeza de que conhecia, mas como pareceu não me reconhecer, fiquei na minha. Um dia ouvi o nome. Não era Felipe.
Ontem, saindo da aula, conversávamos e falei pra ele como ele me parecia um amigo do colégio. Ele disse que desde a primeira vez que me viu, teve certeza de que eu não era estranha, de que já nos conhecíamos.
Somos, ambos, de Pelotas, mas nunca nos cruzamos antes da faculdade.
É uma daquelas pessoas que tu sente uma coisa boa por ter perto (mesmo que isso seja só nas cadeiras da faculdade).
Incrível, mas isso não sai da minha cabeça.
É como a Magda sempre conta que a primeira vez que ela me viu, tinha uma luz no meu ombro e ela teve certeza de que a gente já se amava há muito muito tempo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

A gente sempre fala de comida de vó, de comida de mãe. Que são maravilhosas, são mesmo. Mas a gente tá esquecendo de falar de comida de tia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Das loucuras que eu mais gosto de cometer: entrar no site da saraiva e gastar 120 reais em livros.
É, eu sei, eu tava tentando juntar uma grana. Mas a saraiva é tão amorzinho.